Archive for the 'Livros' Category

Última hora: Acordo assinado, feira ainda sem data

Finalmente foi assinado o acordo entre as duas associações de editores,  APEL e UEP. A Leya vai ter pavilhões diferenciados, a UEP prescinde de organizar a Feira do Livro de Lisboa para o ano e a data de abertura está só dependente de pormenores técnicos e da capacidade de montagem dos pavilhões. Foi necessária a intervenção do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa. A reunião terminou há pouco.

Ler no PÚBLICO.

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A telenovela feira do livro termina segunda-feira?

Ao fim da noite ( e eu ainda aqui no jornal sem jantar ) a reunião entre a APEL, a UEP e a CML terminou. Chegaram a acordo, diz a autarquia. Mas só na segunda-feira é que se sabe. Para já haverá Feira do Livro em Lisboa. A Leya começa a montar os pavilhões diferenciados amanhã, a UEP prescinde de organizar a feira para o ano. Isto se até segunda-feira os sócios da APEL assim o entenderem (vão ser consultados). A certeza absoluta é a de que a data de inauguração mudou, em vez da próxima quarta-feira a Feira do Livro de Lisboa abrirá mais tarde. A nova data também será anunciada na segunda-feira. Veja mais no PÚBLICO amanhã. E se isto está confuso peço desculpa mas eu já não aguento mais: quero fugir desta FEIRA DO LIVRO!!!!!

A votação deste Verão: The Best of the Booker

Para celebrar o 40º aniversário do The Booker Prize vai decorrer durante este Verão a votação para o prémio The Best of the Booker (o melhor do Booker). A votação é aberta ao público mundial e cada pessoa só pode votar uma vez.
Hoje foi divulgada a shortlist . São seis livros, alguns deles já publicados em Portugal: The Ghost Road, de Pat Barker (1995), Oscar e Lucinda de Peter Carey (1988), Disgraça de JM Coetzee (1999), The Seige of Krishnapur de JG Farrell (1973), O Conservador, de Nadine Gordimer (1974) e Os Filhos da Meia-Noite de Salman Rushdie (1981).

Podem começar votar carregando aqui.
A votação termina no dia 8 de Julho.

Porque hoje é domingo

Estou a caminho da Terra Sonâmbula.
Do romance de Mia Couto, do filme de Teresa Prata.

“-Não é perigoso barulharmos assim?
– Se rir muito alto você afasta os maus espíritos”
in Terra Sonâmbula, de Mia Couto (ed. Caminho, págs. 137)

 

Bico de Pena volta a publicar Ali Smith

Falta pouco. É já em Maio que a editora Bico de Pena volta a publicar a escritora escocesa Ali Smith ( já editaram o romance premiado A Acidental).
Agora é a vez do romance Hotel Mundo que esteve na shortlist do Orange Prize for Fiction e do Man Booker Prize for Fiction no ano em que saiu no Reino Unido, em 2001. 

Conheci Ali Smith há alguns anos. Era Verão, estávamos em Cambridge, num seminário organizado pelo British Council. Não sabia quem ela era, nem conhecia a sua obra. Mas desde aquele dia em que no Downing College, Ali Smith – pequenina, com uns olhos azuis que hipnotizam por causa do contraste que fazem com os seus cabelos muito negros –  começou a ler um dos seus contos em voz alta nunca mais saiu da lista dos meus escritores preferidos. Faria parte do meu top ten, se eu o tivesse.
Entretanto (para alegria de todos nós) a sua obra já está a ser traduzida em Portugal, na Bico de Pena e na Teorema (faltam os livros de contos que são os meus preferidos).

Quanto a Hotel Mundo, fica aqui um bocadinho:

” (…) aaaaaaaaaah e partiu-se no chão, eu também me parti toda. O tecto veio abaixo, o fundo trepou ao meu encontro. Parti a coluna, parti o pescoço, parti a cara, parti a cabeça. A caixa torácica que envolvia o meu coração partiu-se em duas e o meu coração saiu cá para fora. Acho que era o meu coração. Saltou-me do peito e entalou-se-me na boca. Foi assim que tudo começou. Pela primeira vez (demasiado tarde), descobri o sabor do meu coração.
Tenho sentido saudades de ter um coração. Saudades do barulho que costumava fazer, da maneira como punha o calor em circulação, da maneira como me mantinha acordada. Vou de quarto em quarto, aqui, e vejo camas desfeitas depois de amor e de sono, e a seguir camas feitas de lavado e prontas, novamente à espera que corpos se enfiem dentro delas; lençóis engomados e dobrados para trás, camas de boca aberta a dizerem bem-vindo, despacha-te, entra, o sono está a chegar. As camas são tão convidativas. Abrem a boca de uma ponta à outra do hotel, todas as noites, para os corpos que se enfiam dentro delas, uns com os outros ou sozinhos; todas as pessoas com os seus corações a pulsar, a ocuparem espaços deixados vazios por outras pessoas, que partiram sabe-se lá para onde, que há apenas umas horas aqueciam esses mesmos espaços.
Tenho andado a tentar lembrar-me de como era dormir sabendo que se ia acordar. Tenho andado a observá-los com toda a atenção, os corpos, e a ver o que os seus corações os deixam fazer. Tenho andado a vê-los dormir, depois; tenho-me sentado aos pés de camas satisfeitas, camas insatisfeitas, camas que ressonam, indiferentes, insones, camas de pessoas que não sentiram presença alguma ali, ninguém no quarto a não ser elas.
Despacha-te. O sono está a chegar. As cores estão-se a esbater. (…)”

in Hotel Mundo de Ali Smith na Bico de Pena (tradução de Tânia Ganho)

Ali Smith esteve o ano passado em Portugal a convite da Culturgest por causa de uma peça de teatro da sua autoria. Pode ler aqui e aqui a entrevista que deu ao Ípsilon nessa altura.

 

O meu mais recente vício: a Titlepage.tv

É aquilo a que se pode chamar uma novidade. Nunca se fez, é a primeira vez. Há cerca de dois meses, a 3 de Março, o famoso editor norte-americano Daniel Menaker começou a produzir (juntamente com a Brown Hats Productions) e a ser o apresentador de um programa sobre livros. Nada de estranho até aqui. A não ser isto: o programa não passa em nenhum canal de televisão, é concebido para ser visto num ecrã mas só existe na Internet. A Titlepage.tv é aquilo a que eles chamam um “Internet book show” e na primeira temporada contam fazer seis episódios.

Eu estou viciada, confesso. Estou completamente viciada na Titlepage.Tv. Não consigo desgrudar. A seguir a Sleeper Cell , a Lost e a Californication deu-me agora para isto. Quer perceber porquê? Carregue no vídeo em cima para ver o quarto episódio. Também mantêm um blogue Loud, Please! e criaram um grupo no Facebook.

Numa época em que os jornais de todo o mundo encurtam o espaço dedicado aos livros e à crítica literária e em que os programas de televisão exclusivamente sobre livros são cada vez mais raros, será este o caminho?, interrogava-me nestas Ciberescritas. Cada vez estou mais convencida disto: o futuro está a passar por aqui.

Jeff Bezos e Thomas L. Friedman na Book Expo America 2008

   Jeff Bezos, o fundador e CEO da Amazon.com vai estar presente na Book Expo America e será entrevistado por Chris Anderson, da revista Wired (autor de A Cauda Longa, da Actual Editora) numa sessão a que poderão assistir os participantes desta feira que reúne bibliotecários, livreiros, editores, jornalistas e autores. Já se sabe que vão falar sobre o futuro do Kindle, o leitor para livros electrónicos lançado o ano passado pela Amazon.com e que por enquanto só se vende nos Estados Unidos.
Também o jornalista Thomas L. Friedman (autor de O Mundo é Plano da Actual Editora, com três prémios Pulitzer e um National Book Award) vai estar na Book Expo America. Irá lá apresentar o seu novo livro Green Is the New Red, White and Blue que irá publicar mais tarde, em Agosto, na editora Farrar, Straus and Giroux. Os seus editores já disseram que este livro é “um manifesto para o nosso desafio climático do futuro”. Friedman apresenta nesta obra uma proposta para tornar a América “mais saudável, rica, mais inovadora, mais produtiva, mais segura.” A Book Expo America vai realizar-se de 29 de Maio a 1 de Junho em Los Angeles.


Sobre

Este é um blogue do PÚBLICO, escrito por Isabel Coutinho. Desde 1996, a jornalista assina semanalmente a coluna Ciberescritas sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura. isabel.coutinho@publico.pt

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del.icio.us Isabel Coutinho

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