Archive for the 'Ficção' Category

A votação deste Verão: The Best of the Booker

Para celebrar o 40º aniversário do The Booker Prize vai decorrer durante este Verão a votação para o prémio The Best of the Booker (o melhor do Booker). A votação é aberta ao público mundial e cada pessoa só pode votar uma vez.
Hoje foi divulgada a shortlist . São seis livros, alguns deles já publicados em Portugal: The Ghost Road, de Pat Barker (1995), Oscar e Lucinda de Peter Carey (1988), Disgraça de JM Coetzee (1999), The Seige of Krishnapur de JG Farrell (1973), O Conservador, de Nadine Gordimer (1974) e Os Filhos da Meia-Noite de Salman Rushdie (1981).

Podem começar votar carregando aqui.
A votação termina no dia 8 de Julho.

Porque hoje é domingo

Estou a caminho da Terra Sonâmbula.
Do romance de Mia Couto, do filme de Teresa Prata.

“-Não é perigoso barulharmos assim?
– Se rir muito alto você afasta os maus espíritos”
in Terra Sonâmbula, de Mia Couto (ed. Caminho, págs. 137)

 

Bico de Pena volta a publicar Ali Smith

Falta pouco. É já em Maio que a editora Bico de Pena volta a publicar a escritora escocesa Ali Smith ( já editaram o romance premiado A Acidental).
Agora é a vez do romance Hotel Mundo que esteve na shortlist do Orange Prize for Fiction e do Man Booker Prize for Fiction no ano em que saiu no Reino Unido, em 2001. 

Conheci Ali Smith há alguns anos. Era Verão, estávamos em Cambridge, num seminário organizado pelo British Council. Não sabia quem ela era, nem conhecia a sua obra. Mas desde aquele dia em que no Downing College, Ali Smith – pequenina, com uns olhos azuis que hipnotizam por causa do contraste que fazem com os seus cabelos muito negros –  começou a ler um dos seus contos em voz alta nunca mais saiu da lista dos meus escritores preferidos. Faria parte do meu top ten, se eu o tivesse.
Entretanto (para alegria de todos nós) a sua obra já está a ser traduzida em Portugal, na Bico de Pena e na Teorema (faltam os livros de contos que são os meus preferidos).

Quanto a Hotel Mundo, fica aqui um bocadinho:

” (…) aaaaaaaaaah e partiu-se no chão, eu também me parti toda. O tecto veio abaixo, o fundo trepou ao meu encontro. Parti a coluna, parti o pescoço, parti a cara, parti a cabeça. A caixa torácica que envolvia o meu coração partiu-se em duas e o meu coração saiu cá para fora. Acho que era o meu coração. Saltou-me do peito e entalou-se-me na boca. Foi assim que tudo começou. Pela primeira vez (demasiado tarde), descobri o sabor do meu coração.
Tenho sentido saudades de ter um coração. Saudades do barulho que costumava fazer, da maneira como punha o calor em circulação, da maneira como me mantinha acordada. Vou de quarto em quarto, aqui, e vejo camas desfeitas depois de amor e de sono, e a seguir camas feitas de lavado e prontas, novamente à espera que corpos se enfiem dentro delas; lençóis engomados e dobrados para trás, camas de boca aberta a dizerem bem-vindo, despacha-te, entra, o sono está a chegar. As camas são tão convidativas. Abrem a boca de uma ponta à outra do hotel, todas as noites, para os corpos que se enfiam dentro delas, uns com os outros ou sozinhos; todas as pessoas com os seus corações a pulsar, a ocuparem espaços deixados vazios por outras pessoas, que partiram sabe-se lá para onde, que há apenas umas horas aqueciam esses mesmos espaços.
Tenho andado a tentar lembrar-me de como era dormir sabendo que se ia acordar. Tenho andado a observá-los com toda a atenção, os corpos, e a ver o que os seus corações os deixam fazer. Tenho andado a vê-los dormir, depois; tenho-me sentado aos pés de camas satisfeitas, camas insatisfeitas, camas que ressonam, indiferentes, insones, camas de pessoas que não sentiram presença alguma ali, ninguém no quarto a não ser elas.
Despacha-te. O sono está a chegar. As cores estão-se a esbater. (…)”

in Hotel Mundo de Ali Smith na Bico de Pena (tradução de Tânia Ganho)

Ali Smith esteve o ano passado em Portugal a convite da Culturgest por causa de uma peça de teatro da sua autoria. Pode ler aqui e aqui a entrevista que deu ao Ípsilon nessa altura.

 

Equador finalmente em língua inglesa

Equator de Miguel Sousa Tavares finalmente editado pela Bloomsbury, numa versão hardback, em língua inglesa. O romance Equador – se entretanto não houver alteração da data – vai ser publicado no dia 7 de Julho de 2008.

Até agora Miguel Sousa Tavares teve três propostas para passar o livro a filme: uma portuguesa e outras duas de outros países europeus, ainda não disse que sim a nenhuma.

Entretanto a equipa que integra o projecto da série de 26 episódios que adapta para a televisão o romance parte hoje para a Índia onde vão começar as gravações. As filmagens vão decorrer ainda no Brasil, em São Tomé e em Portugal. É uma produção Plano 6, co-produção da TVI, adaptação escrita dos ScriptMakers e coordenação de projecto de André Cerqueira. Pode ler mais sobre isto aqui.

Romance de Mário Cláudio e poemas de Nuno Júdice em Maio

Boa Noite senhor Soares é o nome do próximo romance de Mário Cláudio que vai ser publicado, em Maio, pelas Publicações Dom Quixote que renovaram o seu site . A editora revela um pouco da intriga deste romance: “Um jovem provinciano, descido a Lisboa, relata o seu convívio com Bernardo Soares, uma das máscaras de Fernando Pessoa”.

No mesmo mês e na mesma editora será também publicado o novo livro de poesia de Nuno Júdice. Chama-se A Matéria do Poema. É sempre bom lembrar que este poeta tem um blogue: vá lê-lo aqui.

As tecnologias contra nós

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Há um cão que ladra. Há um telefone que toca durante imenso tempo – era um fax. E há a voz do escritor Mário de Carvalho a falar sobre este nosso país, o seu “ambiente de negociata” e a sua falta de civismo. Também nos conta as razões que o levaram a sair do Partido Comunista Português.
Tudo isto foi gravado, em Lisboa, no seu antigo escritório de advocacia. Foi uma conversa a propósito de “A Sala Magenta”, o seu mais recente romance, editado pela Editorial Caminho.
Não basta vivermos à sombra das glórias do passado!”, alerta o escritor. Esta parte da entrevista não está no texto publicado no suplemento Ípsilon e que pode ler aqui.
Naquele dia tudo parecia correr mal. Depois de algum tempo de conversa – pelo menos duas perguntas – notei que o gravador não estava a gravar. Foi preciso recomeçar. No final tentei fazer um pequeno apontamento de vídeo. Aconteceu um qualquer problema de som – um zumbido insuportável – por isso o vídeo não está em condições de ser colocado no blogue.
Resta o Podcast (carreguem no start em cima), que aqui vos deixo, mesmo com o irritante som de fundo do telefone a tocar e do ladrar de um cão. Há dias em que as tecnologias estão contra nós.

Uma reportagem que deu um vídeo

A tradução para inglês de “O Codex 632” de José Rodrigues dos Santos chega hoje às livrarias norte-americanas. O romance sobre “a verdadeira identidade de Cristovão Colombo” foi comprado pela editora William Morrow, do grupo HarperCollins, que entretanto já adquiriu também “A Fórmula de Deus” (ambos editados em Portugal na editora Gradiva).

Durante três dias José Rodrigues dos Santos guiou um grupo de jornalistas americanos pelos locais da acção do livro: Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos, Quinta da Regaleira em Sintra e Convento de Cristo em Tomar. Eu estive lá. Veja o vídeo e leia o artigo que saiu no Público.


Sobre

Este é um blogue do PÚBLICO, escrito por Isabel Coutinho. Desde 1996, a jornalista assina semanalmente a coluna Ciberescritas sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura. isabel.coutinho@publico.pt

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del.icio.us Isabel Coutinho

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