Archive for the 'Escritor' Category

O cão de Saramago e o cachorrinho de Blindness

“Podiam esquecer tudo, mas gostava de entrar na história como o criador do cão das lágrimas. Confesso que aquele não é exactamente o que imaginei. E numa situação daquelas, de uma cidade reduzida ao caos, o cão não podia ser um cachorrinho”, disse. Para o escritor, o animal escolhido “não tem a potência dramática que lhe tentou dar”.
Estas são palavras de José Saramago na conferência de imprensa que deu com o realizador Fernando Meireles a propósito do filme “Blindness”, uma adaptação para cinema do seu romance “Ensaio sobre a Cegueira” (via agência Lusa). Ler mais aqui.

Almeida Faria na Casa Fernando Pessoa

Marque na sua agenda, é já amanhã, às 18h30,  que o escritor Almeida Faria vai estar na Casa Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha, 16, em LIsboa) a falar sobre os livros que não esqueceu.

A remexer no baú

Esta busca que acabei de fazer no Google com com a palavra-chave Marguerite Duras foi uma desilusão por perceber que nada de muito interessante sobre a obra ou sobre a autora tinha aparecido na última década na WWW. Esta crónica (carregar na imagem para aumentar) foi escrita no ano em que a escritora morreu, em 1996, publicada a 13 de Abril.

As páginas de Kimmo de que falava nessa época já não estão actualizadas mas ainda podem ser encontradas aqui e têm uma nota do seu autor onde explica que por falta de tempo e de recursos as deixou de actualizar.

Pedro Tamen: o Capitão miliciano e seus calções

O poeta Pedro Tamen comemorou 50 anos de vida literária em 2006. Um amigo seu, dado a coisas de design gráfico, perseguiu-o durante meses com a ideia de lhe desenhar um website. Pedro Tamen acabou por ceder a contragosto. E ainda bem. Não só pela imagem do Capitão miliciano e seus calções mas também pelos seus poemas. E pelo resto que está lá. Pode ler mais aqui.

Bico de Pena volta a publicar Ali Smith

Falta pouco. É já em Maio que a editora Bico de Pena volta a publicar a escritora escocesa Ali Smith ( já editaram o romance premiado A Acidental).
Agora é a vez do romance Hotel Mundo que esteve na shortlist do Orange Prize for Fiction e do Man Booker Prize for Fiction no ano em que saiu no Reino Unido, em 2001. 

Conheci Ali Smith há alguns anos. Era Verão, estávamos em Cambridge, num seminário organizado pelo British Council. Não sabia quem ela era, nem conhecia a sua obra. Mas desde aquele dia em que no Downing College, Ali Smith – pequenina, com uns olhos azuis que hipnotizam por causa do contraste que fazem com os seus cabelos muito negros –  começou a ler um dos seus contos em voz alta nunca mais saiu da lista dos meus escritores preferidos. Faria parte do meu top ten, se eu o tivesse.
Entretanto (para alegria de todos nós) a sua obra já está a ser traduzida em Portugal, na Bico de Pena e na Teorema (faltam os livros de contos que são os meus preferidos).

Quanto a Hotel Mundo, fica aqui um bocadinho:

” (…) aaaaaaaaaah e partiu-se no chão, eu também me parti toda. O tecto veio abaixo, o fundo trepou ao meu encontro. Parti a coluna, parti o pescoço, parti a cara, parti a cabeça. A caixa torácica que envolvia o meu coração partiu-se em duas e o meu coração saiu cá para fora. Acho que era o meu coração. Saltou-me do peito e entalou-se-me na boca. Foi assim que tudo começou. Pela primeira vez (demasiado tarde), descobri o sabor do meu coração.
Tenho sentido saudades de ter um coração. Saudades do barulho que costumava fazer, da maneira como punha o calor em circulação, da maneira como me mantinha acordada. Vou de quarto em quarto, aqui, e vejo camas desfeitas depois de amor e de sono, e a seguir camas feitas de lavado e prontas, novamente à espera que corpos se enfiem dentro delas; lençóis engomados e dobrados para trás, camas de boca aberta a dizerem bem-vindo, despacha-te, entra, o sono está a chegar. As camas são tão convidativas. Abrem a boca de uma ponta à outra do hotel, todas as noites, para os corpos que se enfiam dentro delas, uns com os outros ou sozinhos; todas as pessoas com os seus corações a pulsar, a ocuparem espaços deixados vazios por outras pessoas, que partiram sabe-se lá para onde, que há apenas umas horas aqueciam esses mesmos espaços.
Tenho andado a tentar lembrar-me de como era dormir sabendo que se ia acordar. Tenho andado a observá-los com toda a atenção, os corpos, e a ver o que os seus corações os deixam fazer. Tenho andado a vê-los dormir, depois; tenho-me sentado aos pés de camas satisfeitas, camas insatisfeitas, camas que ressonam, indiferentes, insones, camas de pessoas que não sentiram presença alguma ali, ninguém no quarto a não ser elas.
Despacha-te. O sono está a chegar. As cores estão-se a esbater. (…)”

in Hotel Mundo de Ali Smith na Bico de Pena (tradução de Tânia Ganho)

Ali Smith esteve o ano passado em Portugal a convite da Culturgest por causa de uma peça de teatro da sua autoria. Pode ler aqui e aqui a entrevista que deu ao Ípsilon nessa altura.

 

Equador finalmente em língua inglesa

Equator de Miguel Sousa Tavares finalmente editado pela Bloomsbury, numa versão hardback, em língua inglesa. O romance Equador – se entretanto não houver alteração da data – vai ser publicado no dia 7 de Julho de 2008.

Até agora Miguel Sousa Tavares teve três propostas para passar o livro a filme: uma portuguesa e outras duas de outros países europeus, ainda não disse que sim a nenhuma.

Entretanto a equipa que integra o projecto da série de 26 episódios que adapta para a televisão o romance parte hoje para a Índia onde vão começar as gravações. As filmagens vão decorrer ainda no Brasil, em São Tomé e em Portugal. É uma produção Plano 6, co-produção da TVI, adaptação escrita dos ScriptMakers e coordenação de projecto de André Cerqueira. Pode ler mais sobre isto aqui.

Manuscritos e autógrafos de Saramago no sítio Web da BNP

 

O sítio Web da Colecção de José Saramago da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) já está a funcionar. 

“A BNP é detentora de uma parcela do espólio do autor de Memorial do Convento que procedeu à sua doação em diferentes ocasiões (1994, 1998 e 1999), contando-se, entre os documentos entregues, textos próprios, obras de terceiros, correspondência e o original do diploma do Prémio Nobel da Literatura (1998)”, explicam.

Neste sítio Web é possível ver materiais preparatórios para O Ano da Morte de Ricardo Reis – como esta página de uma agenda com notas para a escrita deste romance que é a imagem deste post; está lá o texto de apresentação para a Agenda da Biblioteca Nacional de 2002 intitulado Depois de Einstein já não há por aí quem ouse  (autógrafo assinado,). Além das provas tipográficas com emendas e acrescentos As opiniões que o D.L. teve e mais do que uma versão de O Embargo. È possível ver digitalizado o pergaminho entregue pela Academia Sueca ao Prémio Nobel da Literatura português.

Mas se quer ver “ao vivo” este documento e a medalha, bem como alguns destes manuscritos, deve ir visitar a  exposição José Saramago: a consistência dos sonhos, patente ao público na Galeria de Pintura do Rei D. Luís I, no Palácio Nacional da Ajuda, até 27 de Julho. Ou vê-lo neste vídeo sobre a exposição que coloquei num post anterior.

 


Sobre

Este é um blogue do PÚBLICO, escrito por Isabel Coutinho. Desde 1996, a jornalista assina semanalmente a coluna Ciberescritas sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura. isabel.coutinho@publico.pt

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