E a sua fantasia qual é?

No Dia Internacional contra a Homofobia nada melhor do que começar o dia a ler a reportagem do Bruno Horta no P2 .

É sobre o novo clube privado para homens gay em Lisboa, o Labyrinto, onde se concretizam algumas fantasias.
São oferecidos preservativos à entrada. É um clube onde menina não entra.

1 Response to “E a sua fantasia qual é?”


  1. 1 Jorge Marques Maio 19, 2008 às 4:17 am

    Relativamente ao artigo publicado no Público no dia 17.05.2008, intitulado “Fantasias gay”, da autoria do Sr. Bruno Horta, tenho a dizer o seguinte:

    Este texto, que reveste o carácter da mais vulgar imprensa sensacionalista, explora e promove, através de inúmeras insinuações de mau gosto e com um oportunismo mais do que evidente, os sentimentos homofóbicos dominantes na sociedade portuguesa – de forma particularmente perversa dado ter sido publicado no próprio “Dia Mundial Contra a Homofobia”, 17 de Maio, o que não pode deixar de ser entendido como um acto propositada e manifestamente homofóbico.

    A profusão de pormenores e descrições orientados para um público bem preciso – obviamente, aquele que pretende chocar – é indício claro das intenções que presidiram à elaboração desta peça jornalística, que não se limita a dar uma notícia, e que nem sequer exprime frontalmente uma opinião, mas procura assim, de forma oblíqua, suscitar nesse grupo de leitores sentimentos de repulsa e de reprovação.

    Lembro a todos os leitores, e especialmente ao Sr. Bruno Horta, que a homosexualidade é legal neste país e em toda a Europa, e bem assim em muitos países do Mundo. Não só a homosexualidade, como a sua prática. Esperaria porventura que regressássemos a uma situação semelhante à que se vivia no Reino Unido entre a abolição da pena de prisão por homosexualidade em 1967, e a descriminalização da homosexualidade nesse país nos anos 80, período durante o qual só eram permitidos actos entre adultos e em privado, ou seja, às escondidadas e em casa própria?

    Até hoje, e ainda hoje, os homosexuais deste país, habituados a séculos de repressão, praticam efectivamente sexo no escuro, às escondidas, sujeitos a toda a espécie de agressões, inclusivamente da polícia – designadamente, a agressão psicológica – por não lhes ser reconhecido e por eles próprios não reconhecerem alguns dos seus direitos básicos, como o direito à igualdade de tratamento e à não-discriminação. É por isso que os locais de engate são em Portugal espaços públicos ou cantos escuros onde as pessoas se escondem e de onde sabem que podem fugir em caso de necessidade, ou verdadeiros ghettos onde se dão a ilusão de alguma segurança, refúgios face a uma sociedade intolerante e homofóbica.

    Apenas são tolerados os “casos desesperados”, os homosexuais óbvios ou efeminados, percebidos pela sociedade como irremediáveis, e mesmo assim só em casos extremos e numa certa medida, ou seja, na condição de serem ou pobres de espírito, ou então génios da moda, da literatura ou do espectáculo.

    Os outros, os “camaleões”, são aqueles que a intolerância levou a procurarem refúgio noutros ghettos, o do casamento ou o da solidão, ou a revestirem uma “pele” exterior de aparência heterosexual, para poderem viver numa sociedade que os rejeita. Poucos são os que conseguem viver abertamente a sua homosexualidade, sem limitações impostas por eles próprios ou pela sociedade.

    O Sr. Bruno Horta poderia ter feito um artigo sobre outros “espaços deste género” do mundo heterosexual, igualmente com profusão de pormenores e de insinuações. Porém, teria tido de dar mostras de muito maior capacidade jornalística, para que um só dos seus leitores achasse chocante, em vez de aliciante, um tal artigo.

    Mas posso estar enganado. Talvez o texto do Sr. Bruno Horta não fosse, afinal, uma peça sobre as “Fantasias gay” mas sim sobre as “Fantasias hetero” daqueles que, certamente, o acharam mais aliciante.


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Este é um blogue do PÚBLICO, escrito por Isabel Coutinho. Desde 1996, a jornalista assina semanalmente a coluna Ciberescritas sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura. isabel.coutinho@publico.pt

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